domingo, 19 de maio de 2013
Sindrome do X Frágil 2 - Conhecendo a história de Caíque
Caíque era um menino de aproximadamente 7 anos quando o conheci. Magrinho, comprido, falante, super simpático. Adorava futebol, alias, adora até hoje, mas tinha uma imensa dificuldade no sucesso das jogadas, pois mirava aqui e a bola ia pra lá... Na escola, Caique apresentava sérios problemas de aprendizagem. Considerado " burro" por colegas e professores. A mãe, desesperada, pediu uma vaga na escola em que eu coordenava na época e ele passou a fazer parte de nosso dia a dia. Caique apresentava uma oralidade de fazer inveja a qualquer um, conhecia e dissertava sobre programas de TV por assinatura, futebol, enfim, um ótimo papo, mas na hora da apreensão de conceitos que necessitassem de raciocínio lógico, a dificuldade. Escrever, uma verdadeira luta, não conseguia traçar letras cursivas, apenas bastão, o caderno era uma verdadeira bagunça. Lia maravilhosamente, mas a escrita... Os anos foram se passando e começamos a pressionar a mãe para diagnosticar o que se passava com o Caique, pois algo não "funcionava" dentro da "normalidade". E assim foi feito: pediatra, neurologista, exames. Sindrome do X Frágil confirmada. Mas o que seria essa síndrome? Fomos estudar... Ficou claro o porque do Caique não conseguir traçar as letras de forma cursiva, não conseguir amarrar o cadarço do tênis, não abotoar roupas, vestir a blusa ao contrario, ter mudanças repentinas de humor exagerando nas reações com fatos irrelevantes, enfim, começamos a entender o Caique e pudemos ajudá-lo, junto com o atendimento que a familia providenciou com neurologista, psicologo, fonoaudiologo, terapeuta ocupacional e claro, o uso de medicamentos. O primeiro passo da escola foi não exigir dele o que não seria capaz de realizar. Hoje, Caique está indo para o ensino médio. É um adolescente como qualquer outro que entende e aceita suas limitações. E, nós, que fizemos parte dessa história, nos sentimos realizados junto com a família pelo sucesso do Caique.
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